Ainda me lembro daquele tempo em que eu voltava da escola pelos trilhos do trem.Chegava cansado em casa,cansado,pois a caminhada era longa e eu não tinha calçados nos pés,e assim eu ia me equilibrando nos trilhos.
Após chegar em casa sentava na varanda e esperava o trem da final da tarde passar.Com os vagões carregados ele era enorme e lento,e com o tempo me apaixonei pela tal coisa que além de enorme e lenta,era barulhenta,o trem.
Meu pai,muito observador,notou minha paixão por aquilo que parecia incomodar a vizinhança com o barulho,então com o pouco dinheiro que havia em seus bolsos me comprou um pequeno trenzinho de ferro que animava minhas tardes de puro tédio.
Minha infância se passou,mais rápida que o trem de fim de tarde.Meus pais se foram,e o meu trenzinho empoeirado segue na prateleira do meu escritório.
Jucelino chegou e trouxe com ele a indústria automobilística,o que para mim,ajudou o meu trenzinho ficar mais empoeirado.Agora só se fala em caminhões, e outros outros meios de transporte.
Alguns trilhos seguem com ferrugens e mato crescendo sobre eles,meu sonho de infância vai desaparecendo.
Sem fotos o que resta é a minha palavra,para contar ao meu filho como as coisas eram.Pelo jeito tudo se perdeu com o asfalto.
Para mim governar não é só construir estradas,governar é não esquecer da história,é saber evoluir tudo um pouco,e também é por isso que me canditado a presidente desta república.
É triste dizer que sou um dos poucos que se preocupa em salvar os trenzinhos da prateleira de muita gente.